Poemas de Pablo Neruda para aquecer o coração

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O chileno Pablo Neruda é um dos maiores poetas do mundo. Produziu uma grandiosa obra durante sua vida além de ter sido diplamata e político. Ganhou o Nobel de literatura em 1971. Um dos temas centrais de sua obra é o amor. O seu livro ‘Cem sonetos de amor’ foi dedicado a Matilde Urrutia, sua última musa, e é dividido em quatro partes – manhã, meio-dia, tarde e noite. E é deste livro que retiramos os 7 os poemas de Pablo Neruda desta postagem.

Ouça os poemas de Pablo Neruda
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Poemas de Pablo Neruda do livro Cem Sonetos de Amor

7 poemas de Pablo Neruda retirados diretamente do livro Cem Sonetos de Solidão para você ler e se encantar com esse poeta.

Soneto II

AMOR, quantos caminhos até chegar a um beijo,

que solidão errante até tua companhia!

Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.

Em Taltal não amanhece ainda a primavera.

Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,

juntos desde a roupa às raízes,

juntos de outono, de água, de quadris,

até ser só tu, só eu juntos.

Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,

a desembocadura da água de Boroa,

pensar que separados por trens e nações

tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos,

com todos confundidos, com homens e mulheres,

com a terra que implanta e educa os cravos.

Soneto IV

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RECORDARÁS aquela quebrada caprichosa

onde os aromas palpitantes subiram,

de quando em quando um pássaro vestido

com água e lentidão: traje de inverno.

Recordarás os dons da terra:

irascível fragrância, barro de ouro,

ervas do mato, loucas raízes,

sortílegos espinhos como espadas.

Recordarás o ramo que trouxeste,

ramo de sombra e água com silêncio,

ramo como uma pedra com espuma.

E aquela vez foi como nunca e sempre:

vamos ali onde não espera nada

e achamos tudo o que está esperando.

Soneto V

NÃO TE TOQUE a noite nem o ar nem a aurora,

só a terra, a virtude dos cachos,

as maçãs que crescem ouvindo a água pura,

o barro e as resinas de teu país fragrante.

Desde Quinchamalí onde fizeram teus olhos

aos teus pés criados para mim na Fronteira

és a greda escura que conheço:

em teus quadris toco de novo todo o trigo.

Talvez tu não saibas, araucana,

que quando antes de amar-te me esqueci de teus beijos

meu coração ficou recordando tua boca

e fui como um ferido pelas ruas

até que compreendi que havia encontrado

amor, meu território de beijos e vulcões.

Soneto VIII

SE NÃO FOSSE porque têm cor de lua teus olhos,

de dia com argila, com trabalho, com fogo,

e aprisionada tens a agilidade do ar,

se não fosse porque uma semana és de âmbar.

se não fosse porque és o momento amarelo

em que o outono sobe pelas trepadeiras

e és ainda o pão que a lua fragrante

elabora passeando sua farinha pelo céu,

oh, bem-amada, eu não te amaria!

Em teu abraço eu abraço o que existe,

a areia, o tempo, a árvore da chuva,

e tudo vive para que eu viva:

sem ir tão longe posso ver tudo:

vejo em tua vida todo o vivente.

Soneto XI

TENHO fome de tua boca, de tua voz, de teu pelo,

e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,

não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,

busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,

de tuas mãos cor de furioso celeiro,

tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,

quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua beleza,

o nariz soberano do arrogante rosto,

quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo

buscando-te, buscando teu coração ardente

como um puma na solidão de Quitratúe.

Soneto XXI

OH que todo o amor propague em mim sua boca,

que não sofra um momento mais sem primavera,

eu não vendi senão minhas mãos à dor,

agora, bem-amada, deixa-me com teus beijos.

Cobre a luz do mês aberto com teu aroma,

fecha as portas com tua cabeleira

e em relação a mim não esqueças que se desperto e choro

é porque em sonhos apenas sou um menino perdido

que busca entre as folhas da noite tuas mãos,

o contato do trigo que tu me comunicas,

um rapto cintilante de sombra e energia.

Oh, bem-amada, e nada mais que sombra

por onde me acompanhes em teus sonhos

e me digas a hora da luz.

Soneto LXVI

NÃO TE QUERO senão porque te quero

e de querer-te a não querer-te chego

e de esperar-te quando não te espero

passa meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque a ti te quero,

te odeio sem-fim, e odiando-te rogo,

e a medida de meu amor viageiro

é não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro

seu raio cruel, meu coração inteiro,

roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só eu morro

e morrerei de amor porque te quero,

porque te quero, amor a sangue e fogo.

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Desejamos portanto, que todos se inspirem para que a gente possa, acima de tudo, dar importância, cada vez maior, as pequenas sensações e pensamentos do cotidiano e aos nossos sentimentos mais íntimos.

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